quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

BIOGRAFIA DE ALEX: "GALVÃO BUENO QUASE MATOU O MEU PAI".


"Fui titular novamente, mas perdemos a decisão para os donos da casa. O Vanderlei me escalou fora de posição na final. Joguei improvisado no ataque, ao lado do Ronaldinho. Porém, o que tenho na cabeça é que o Galvão Bueno quase matou o meu pai nesse jogo. Ele falou tão mal de mim, me esculachou tanto na Globo, que o velho passou mal. Teve um princípio de derrame que comprometeu o seu lado esquerdo para o resto da vida. Se não acontecesse isso, certamente estaria mais forte hoje."
Esse trecho do livro "Alex, a biografia", que acaba de ser lançado arrasou o narrador da Globo, Galvão Bueno. Ele que adora se definir como 'vendedor de emoções' soube da pior maneira o poder das palavras. O peso de críticas para a família, para as pessoas que amam o jogador que disputa uma partida. O derrame aconteceu em 1999. O Brasil foi derrotado por 4 a 3. O time era fraquíssimo. Principalmente o sistema defensivo.
Dida, Flávio Conceição, Odvan, João Carlos e Serginho; Vampeta, Emerson, Beto e Zé Roberto; Ronaldinho Gáucho e Alex. Mas o peso das críticas ficaram mesmo para Alex. O peso do monopólio da Globo fez com que as palavras de Galvão indicaram o caminho que muitos seguiram no Brasil. E causaram o derrame em Adenir. Desde então a presença do pai do meia nas arquibancadas diminuiu drasticamente.
Nos veículos ligados à Globo, o episódio divulgado no livro é proibido. Embora seja um das principais revelações do livro, ninguém cita. Para não denegrir o narrador. Só que amigos de Galvão revelam que ele ficou arrasado. Não tinha ideia do que havia provocado. Sabia que a relação de Alex nunca foi boa. Mas não sabia da profundidade da mágoa do ex-jogador.
No livro corajoso, várias revelações. Como a da sua terrível passagem pelo Flamengo
"“No que entrei na Gávea e vi o vestiário, pensei: cacete. Cheirava a mofo. A estrutura da Gávea era horrível, o campo era horrível. Ninguém queria nada... Foi o melhor elenco no qual já estive, mas como time não se encaixava. Nem treinava pra se encaixar. Não havia comprometimento. Não existia comando de cima pra baixo. Concentração, só na teoria..."
3ae Aborto da esposa no dia que Felipão o deixou de fora da Copa do Mundo. Derrame no pai pelas críticas de Galvão Bueno. Chamar Ricardo Teixeira de bêbado. A terrível relação entre Alex e a Seleção explica seu exílio na Turquia...
"Pensava comigo, estou na merda. Perdemos a Olimpíada e a imprensa depositou a derrota na minha conta e na do Ronaldinho, só que ele tinha se transferido do Grêmio para Paris. O Mozart, que era o meu único amigo do peito no Rio, para piorar, acabara de ser negociado pelo Flamengo com o Reggina, da Itália. Fiquei só na cidade. Não tinha relação com o pessoal do time, até porque ninguém tinha condição de ter relação de amizade. Era acabar o treino e se esconder em casa. A situação era complicada. Só podíamos ir ao supermercado tipo quatro e meia da manhã, quando, vazio, ninguém te importunava."
Sua eterna companheira, a esposa Daiane, complementa o que o meia viveu.
“Inacreditável era o Alex trazer o uniforme do jogo para lavar em casa. Por essas e outras, odeio a Nike. Ela trata os clubes muito mal. O Flamengo não podia nem trocar camisa após os jogos. Trazia para casa e tinha de devolver. Nem a lavanderia do clube funcionava direito. Para piorar, não pagavam. A gente vivia do dinheiro do Parma. E o Flamengo a perder. Uma atrás da outra."
4ae Aborto da esposa no dia que Felipão o deixou de fora da Copa do Mundo. Derrame no pai pelas críticas de Galvão Bueno. Chamar Ricardo Teixeira de bêbado. A terrível relação entre Alex e a Seleção explica seu exílio na Turquia...
Mas lógico que haveria espaço para a maior decepção da carreira de Alex. Ter sido deixado de fora da Copa de 2002, por Felipão. O jogador havia sido o grande responsável pela Libertadores que o treinador havia conquistado pelo Palmeiras em 1999.
“Iniciei a campanha das Eliminatórias para 2002 e participei de boa parte dos jogos. O Felipão havia sido meu treinador durante um tempão. Na Copa América ele falou para mim: 'Estamos juntos e vamos até o final...' Quando Djalminha foi cortado sabia que eu iria. Ronaldinho Gaúcho era atacante e Kaká, apenas um menino, que só tinha sido convocado num único jogo. Quando voltei pra casa, depois de não ter sido relacionado na convocação final, minha mulher estava numa tristeza monstra.."
"Nunca fui de beber, mas comecei a tomar cerveja e vinho. Passei uns 40 ou 50 dias de loucura. A imprensa falando de Copa do Mundo (de 2002) e eu nem sabendo o que estava rolando. De acordo com o fuso horário da Coreia do Sul e do Japão, os jogos aconteciam de madrugada. Naqueles horários, eu estive bêbado ou dormindo. Eu era um fudido."
Alex não suporta ouvir a música de Zeca Pagodinho "Deixa a Vida Me Levar", até hoje.
Para piorar de vez o cenário, Alex revela outro drama pessoal. No mesmo dia em que Felipão chamou Ricardinho na vaga de Emerson, cortado, Diane sofreu um aborto natural.
“Quando me certifiquei de que Ricardinho, do Corinthians, foi convocado no lugar de Emerson, cortado, achei: ‘Tem alguma muito louca nessa história’. Além de ele não ir nunca, nem era da posição do Emerson. Deu um nó na minha cabeça. Pra piorar, a Dai fez o exame e descobrimos que tínhamos perdido o bebê."
Como já havia sido revelado no blog, após a Copa, Felipão se encontrou com o casal em uma festa. Tentou falar com Alex, que o tratou friamente. E se desculpar com Diane. Mas a esposa do jogador desabafou todo a frustração dos dois pelo treinador ter esquecido o meia em 2002. Testemunhas dizem que Felipão apenas abaixou a cabeça e aceitou as queixas de Diane. E o pedido para não mais falar com ela. Os dois tinham o mesmo assessor de imprensa. O treinador ficou sabendo depois da Copa sobre o aborto.
5ae Aborto da esposa no dia que Felipão o deixou de fora da Copa do Mundo. Derrame no pai pelas críticas de Galvão Bueno. Chamar Ricardo Teixeira de bêbado. A terrível relação entre Alex e a Seleção explica seu exílio na Turquia...
Felipão talvez estivesse de mãos amarradas em relação ao meia palmeirense. No livro, o jogador deixa escapar o que fez durante a Olimpíada de 2000. E que pode ser a peça que faltava no quebra-cabeça da sua estranha ausência da Copa do Mundo do Japão.
"Fizemos uma competição horrorosa, única lembrança boa foi conhecer Guga e pessoal do basquete dos Estados Unidos. Não jogamos nada na estreia com a Eslováquia, meu aniversário, nada contra África do Sul. A gente não falava de futebol, não treinava, não houve preparação. (O técnico era Vanderlei Luxemburgo. Seu auxiliar era o também treinador Candinho.)
Tínhamos um chefe de deleção (Eurico Miranda) que fazia figuração, comissão técnica rachada... Luxa mostrava um vídeo e Candinho mandava a gente esquecer a preleção. Quando fomos eliminado por Camarões, o Ricardo Teixeira apareceu com o tal chefe (Eurico). Falaram que era vergonha a eliminação. O sangue ferveu.
"Aí falei: ‘O senhor só vivia bêbado, veio passar na Olimpíada. A gente sabe a merda que vai acontecer, uma geração boa que de repente vai ficar no meio do caminho por causa disso. O pessoal da CBF me alertou que sofreria represálias. Isso talvez pode ter impedido a realização de meu sonho de ir à Copa de 2002."
Só que Felipão poderia ter enfrentado Ricardo Teixeira. Já havia feito pior, não levado Romário. Convocar Alex seria muito menos difícil.
O livro escrito por Marcos Eduardo Neves é imperdível para quem ama futebol.
Pretende entender como alguém tão talentoso como Alex não disputou uma Copa.
Compreender seu exílio na Turquia.
E vivenciar o motivo da eterna mágoa quando fala sobre Seleção Brasileira...

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