domingo, 23 de outubro de 2011

Bola da Copa 2014: Gorduchinha sai na frente


A Copa 2014 começou a tomar cara nessa semana com o anúncio oficial das partidas em seus respectivos estádios. Ainda que muitas dessas novas, modernas e exageradas arenas estejam lá um tanto atrasadas, já se sabe por onde a bola vai rolar. E aí cabe a pergunta: qual será o nome da bola utilizada no Mundial no Brasil? Entre “Pelé”, “Pelézinho”, “Fenômena”, “Samba” e até “Saudade”, todas sugestões listadas na página de Esportes do band.com.br, “Gorduchinha” aparece com força até mesmo para a fabricante de material esportivo parceira da Fifa.

Gorduchinha é uma homenagem clara ao brilhante narrador esportivo Osmar Santos. “Ripa na chulipa e pimba na gorduchinha” era apenas um de seus inúmeros bordões que faziam o pior zero a zero se transformar em uma partida emocionante. Pelas ondas do rádio, “um pra lá, dois pra cá”, “parou por quê, por que parou?”, “vai garotinho que o placar não é seu” e, claro, “e que gooooooooool ” davam mais dinamismo às transmissões e ainda despertavam a imaginação do ouvinte, que era transportado para dentro do gramado.

Mas Osmar Santos foi vítima de um grave acidente automobilístico em dezembro de 1994. Como sequela de um caminhão que atingiu seu carro em cheio, danos cerebrais comprometeram sua fala e impediram de continuar na profissão. Então, como homenagem, um grupo de amigos e companheiros de rádio decidiram criar em julho deste ano a campanha “Gorduchinha 2014” para batizar a bola da Copa.

“Osmar Santos é uma figura que extrapola uma ou outra emissora de rádio. Ele é unanimidade. Todo mundo começa a se sentir representado. Essa questão da superação dele, tudo que ele vem lutando, faz que a gente queira que quando chegue a Copa do Mundo, ela de alguma forma tenha uma cara mais de Brasil”, explica

Mariangela Ribeiro, uma das idealizadoras do projeto. “Mas tem de ser uma coisa democrática como o próprio Osmar sempre foi [participou ativamente das Diretas Já e criou “essa é a voz do povo, essa é a voz da torcida].”

Poucas pistas

A Adidas, fornecedora oficial de material esportivo para a Fifa desde 1970, garante que considera todas as campanhas e dialoga com a entidade máxima do futebol para ter um nome que tenha sim a ver com a cara do povo brasileiro. A decisão, no entanto, ainda está longe de ser tomada, tampouco é possível falar em cores.

“A definição do nome ainda está 100% em aberto. O Brasil é um polo de investimento muito mais emocional, forte, que realmente mexe com o espírito do povo”, disse Daniel Schmid, gerente de futebol da Adidas. “Em relação à Gorduchinha, a gente troca informações com o escritório global, e recebe informações quanto ao desenvolvimento tanto para a Copa das Confederações como para a Copa do Mundo. Assim como Samba, é um nome interessante.

A nossa expectativa com o País é que seja muito forte. Queremos que todos participem, que a população celebre esse momento tão gostoso.”

Ao longo dos anos, a bola deixou de ser apenas um couro marrom, pesado, com gomos retangulares, que chegava a machucar os atletas, sobretudo, quando estava encharcada. A partir da Copa de 1970, aquela simples bola se tornou também um produto de marketing sem nunca perder o caráter lúdico do primeiro brinquedo de muitas crianças ao redor do mundo.

Da Telstar, em 1970 e repetida em 1974, com cores e desenhos de hexágonos brancos e pentágonos pretos, então inovadores, vimos rolar algumas outras bolas com nomes ora ligados ao país, ora retratando o desempenho.

Tivemos Tango (na Argentina em 1978 e na Espanha em 1982), Azteca (no México 1986), Estrusco (na Itália em 1990), Questra (nos Estados Unidos em 1994), Tricolore (na França em 1998), Fevernova (no Japão e na Coreia do Sul em 2002), Teamgeist (na Alemanha em 2006) até chegar a Jabulani na África do Sul em 2010.

Jabulani, que significa “celebrar”, foi escolhida para homenagear a primeira Copa no continente africano. No entanto, caiu na boca do povo muito mais pela crítica dos jogadores que não se adaptaram ao novo material, que viajava sem tanta resistência do ar. Para a Adidas, a bola no Brasil terá um nome ainda mais forte e será ainda mais moderna que a utilizada na África do Sul.

Apoio

Pelo carinho que Osmar Santos desperta, Gorduchinha 2014 ganha força também entre os jogadores e ex-jogadores de futebol. Recentemente, a Portuguesa entrou em campo com uma camisa da campanha. O craque Edmundo, hoje comentarista da Band, aprova o batismo. Em meados da década de 1990, quando vivia seu auge nos campos e assumidamente extrapolava fora dele, o narrador o apelidou de Animal – originalmente o apelido, no entanto, era para o melhor jogador de cada partida.

“Ainda ontem estive com o Osmar e ele, mesmo com dificuldade, me chamou de Animal. Seria uma homenagem muito justo, ainda mais porque esse tipo de coisa tem de ser feito quando a pessoa está viva. Depois morre e vira nome de rua, de praça apenas. Não é legal. A bola estará bem representada como Gorduchinha”, disse.

Fonte/DiáriodoPará

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